Após duas semanas à deriva, pescadores são resgatados

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Fim da angústia. O reencontro dos pescadores perdidos com os familiares foi só emoção, no porto de Barra do Riacho, em Aracruz

Desfecho surpreendente para a história dos quatro pescadores que ficaram desaparecidos após sair para uma pesca em Nova Almeida, na Serra: depois de 18 dias no mar – sendo 15 deles à deriva -, o barco Urso Branco, com   três homens e uma mulher, foi encontrado por um homem que pescava  em  Linhares, Norte do Estado. Os pescadores estavam a 83km da costa, e em bom estado de saúde.

A embarcação foi vista por João Carlos Gomes da Fonseca, 36, por volta das 16 horas de ontem, perto do Farol do Rio Doce, em Regência. De lá, o barco com Eduardo Rodrigues Sales, 45, que atua como mestre; e sua mulher, Maria da Penha Souza, 55; Amário Domingues da Silva, 44; Miguel Dias Pereira, o Baiano, 68, foi rebocado até o Porto da Aracruz Celulose (Portocel), em Barra do Riacho, Aracruz.

O reboque foi necessário, porque o barco teve um problema no  motor de arranque, o que o levou à deriva já no primeiro dia, ainda perto de Nova Almeida.

A notícia do resgate logo chegou à comunidade em que vivem os pescadores. E cerca de 20 pessoas – entre parentes e amigos – foram até Barra do Riacho para recepcioná-los e acabar, de vez, com os dias de angústia. Entre eles estava  Alexandro da Silva, 29 anos, filho de Maria da Penha, que sempre buscou ajuda para buscas e nunca deixou de acreditar que reencontraria a mãe.

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O dono do barco também  foi a Aracruz. Joaquim do Nascimento disse que a lancha nunca havia apresentado problemas antes: “Foi azar, infelizmente”.  Essa havia sido a primeira vez que Eduardo, Maria da Penha e os outros pescadores pegavam esse barco para pescar. “A primeira e última”, frisou Alexandro.

Como o porto  tem acesso restrito, ninguém pôde entrar, e foi preciso esperar mais algumas horas para o reencontro, que só aconteceu às 22h30. Nesse momento, foi só emoção: os pescadores resgatados saíram de dentro de uma ambulância e foram recebidos com abraços, risos e lágrimas.

O capitão da Polícia Militar Paolo Quintino,  do Núcleo de Operações e Transporte da corporação, informou que  o governo do Estado disponibilizou um helicóptero  para que os pescadores fossem removidos para um hospital – embora seus estados de saúde fossem  bons, como atestou, ainda no porto, um médico da Secretaria de Saúde.

Do Aeroporto de Vitória, o grupo seria levado ao Hospital Dório Silva, na Serra, onde seria examinado com mais rigor. Maria da Penha, por exemplo,  estava com a pressão alta – assim como o marido ela é hipertensa, e não havia remédios na embarcação. Além disso, Amário “ganhou” três pontes de safena  há cinco meses.

15 dias de angústia

Partida. A embarcação Urso Branco saiu de Nova Almeida, Serra, no último dia 25 para uma pesca a 30km da costa

Tripulação. No barco estavam Maria da Penha de Souza, 55 anos; o marido dela, Eduardo Rodrigues Sales, 45, que atua como mestre; e dois pescadores identificados como José Amaro, de aproximadamente 40 anos, e Seu Baiano, 70

Retorno.
A previsão era de que eles voltassem três dias depois, mas não apareceram. A Capitania dos Portos foi informada do desaparecimento no dia 1º. Começaram então as buscas

Problemas.
Inicialmente, a informação era de que o barco teria apresentado problemas no alternador – que impediria a partida do motor – e ficado à deriva

Ajuda. Um helicóptero e um rebocador da Marinha, além de um rebocador da Petrobras, chegaram a reforçar a equipe de buscas

Esperança. No dia 3, foi avistado um barco semelhante ao Urso Branco a 40km da costa de Aracruz, mas não foi confirmado que era a embarcação desaparecida

Fim das buscas. Dois dias depois, a Capitania dos Portos encerrou as tentativas de localizar o barco Urso Branco

Salvos. Ontem, o pescador João Carlos Gomes localizou a embarcação Urso Branco próximo ao Farol do Rio Doce, em Regência, por volta das 16 horas. Todos tripulantes estão bem

Confiança

“Nunca achei que estivesse perdida”
Maria da Penha Souza
55 anos

Foi um momento muito difícil. Mas nunca achei que estivéssemos perdidos. Um helicóptero   chegou a passar do lado da gente. Fizemos sinal, até batemos panela, mas eles foram embora.  Minha mãe pediu para eu não ir, mas eu fui de teimosia mesmo. Acabamos indo, e deu nisso.”

Fé em Deus

“Guardamos comida para viver”
Amário Domingues da Silva
44 anos

Foi um aperto muito grande, mas graças a Deus deu tudo certo. O mais difícil foi quando a peça do motor estragou. Nós ficamos perdidos, sem saber o que fazer. Mas guardamos um pouco de comida para nos mantermos vivos. Sempre tive fé em Deus e achava que ia sair vivo dessa. Estou satisfeito.”

Esperança
“Nunca havia perdido a fé. Depois de abracá-la muito, vou dar um castigo nela… Falei para não ir pescar, e ela foi escondida”
Lina Perez de Souza Mãe de Maria da Penha, 79

“Eles estavam muito ansiosos para voltar para casa e assustados, por isso não conversamos muito. Demos prioridade ao resgate”
João Carlos Gomes Mestre do barco Efeso

“O pior momento foi quando o arranque pifou. Não tinha mais nada  que a gente pudesse fazer. Ainda bem que estamos vivos”
Miguel Dias Pereira o Baiano, 68, pescador

Filhos criticaram fim das buscas

Horas antes do anúncio do resgate dos pescadores, os irmãos Carla Cristina de Souza, 35, e Alexandro da Silva, 29, protestaram contra a decisão da Capitania dos Portos de suspender, no último dia 5, as buscas pelo barco.

“Disseram apenas que as chances de encontrá-los eram muito remotas e encerraram as buscas”, contou Carla, que  parecia adivinhar o que estava por vir.

“Em momento nenhum  achei correto a Capitania ter suspendido as buscas. Se os próximos pescadores não tivessem insistido, esse caso terminaria como aquele dos velejadores em Guarapari (desaparecidos desde 13 de janeiro), que até hoje ninguém encontrou”, afirmou Alexandro.

Adwalter Lima, mais conhecido como Frank, da Federação dos Pescadores do Espírito Santo, afirmou que sempre disse que a embarcação estaria na Região Norte. “As buscas não foram intensificadas corretamente. Sempre falei que todos estavam vivos e que iríamos encontrá-los. Era só procurar direito”, afirmou.

Ele contou que, a todo momento, os pescadores, independentemente das ações da Capitania, fizeram buscas por conta própria.

Sobrevivência
550 litros
Esse foi o volume de água levado pelos pescadores do barco Urso Branco que garantiu a sobrevivência deles

Pedaços do barco foram usados como lenha
Para sobreviver durante os 15 dias em que ficaram à deriva em alto-mar, os quatro tripulantes do barco Urso Branco pescaram e usaram a lenha da própria embarcação para cozinhar. Ao sair de Nova Almeida para uma pesca a 30 quilômetros da costa, eles levaram 550 litros de água, uma botija de gás praticamente vazia e comida suficiente para apenas dois dias. A água era bebida em doses pequenas. A tenente Rosane Guzzo, do Corpo de Bombeiros, esteve com os sobreviventes no Porto de Barra do Riacho, em Aracruz, e afirmou estar surpresa por achar o grupo com tão bem de saúde. “O maior problema é a falta de água. E eles tinham uma boa reserva.”

Grupo tentou pedir ajuda a helicóptero
Da Redação Multimídia

Os tripulantes do Urso Branco, que ficou à deriva por 15 dias, contaram a João Carlos Gomes da Fonseca, 36 anos, mestre do barco que os resgatou, que um helicóptero chegou a sobrevoar a embarcação, mas não prestou socorro.

José Carlos mora em Vitória e pescava camarão com amigos na Região Norte do Estado quando viu os quatro tripulantes de uma embarcação, gesticulando. Aproximaram-se então do barco à deriva e trouxeram os pescadores para dentro de sua embarcação, onde foram alimentados.

Em seguida, rebocaram o barco Urso Branco e levaram-no para Aracruz. “Fico honrado por ter participado deste resgate. Podia ser qualquer um de nós pescadores”, afirma.

Experiência
Com 25 anos de experiência de mar, João Carlos conta que já passou por uma situação semelhante à vivida pelos pescadores de Nova Almeida. “Isto já aconteceu comigo uma vez. Mas, graças a Deus, por ter um sistema de comunicação via rádio no barco, fui socorrido por amigos”, revela.

TRECHOS DA NOTA DA CAPITANIA
“O feliz retorno do barco pesqueiro  Urso Branco, com seus tripulantes em ótimo estado de saúde, coroa com êxito os esforços de busca que envolveram a comunidade marítima (…) A Capitania dos Portos, desde que foi informada do desaparecimento, no dia 1º de junho, até esta data, manteve as buscas (…) tendo sido aberto, inclusive, um  inquérito administrativo, para aprofundamento das informações que pudessem contribuir para o encontro das pessoas então desaparecidas…”

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Foram encontrados os quatro pescadores que desapareceram há 15 dias depois que saíram em um barco de Nova Almeida, na Serra. A embarcação foi avistada na tarde desta quinta-feira (11) por pescadores que estavam na região e sabiam do caso.  Segundo o filho de uma das vítimas, Alexandro de Souza, todos passam bem.

O barco está sendo rebocado até Barra do Riacho, em Aracruz. Familiares e amigos já estão no local e se dizem ansiosos com a chegada dos familiares que não viam há tanto tempo. “Não vejo a hora de abraçar e beijar minha mãe”, destacou Alexandro.

A Capitania dos Portos do Espírito Santo não confirmou a informação de que a embarcação encontrada é mesmo a dos pescadores. Uma equipe está sendo encaminhada até o local e deve chegar ainda durante a noite desta quinta.

O caso

Os quatro pescadores desapareceram no mar na madrugada do último dia 26. A família, que inicialmente procurava saber o que tinha acontecido, já tinha perdido as esperanças de encontrá-los com vida nos últimos dias.

No último dia 5, a Capitania dos Portos do Espírito Santo (CPES) suspendeu as buscas informando que foram adequados todos os procedimentos adotados na busca pela embarcação.

Para a filha do casal de senhores que estava no barco, Carla de Souza, um fator que prejudicou a pescaria e pode ter dificultado a tripulação foi a falta de rádio comunicador. “Não tem contato por rádio, não tem contato por telefone, não tem contato de embarcação. Ninguém sabe, ninguém viu, evaporou”, desabafou.

Carla também denunciou que não haviam coletes salva-vidas. A grande preocupação dela neste momento é que as buscas não sejam paralisadas. “Normalmente são três dias, pela Capitania dos Portos. Eles botam navio, botam barco, botam helicóptero, mas são três dias”, disse a moça.

Foto: Reprodução TV Vitória
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Falta de preparo e cuidado com as vítimas. Estas foram as acusações que os pescadores de Nova Almeida, desaparecidos por 15 dias e encontrados na quinta-feira, fizeram contra a Capitania dos Portos. Segundo os pescadores um helicóptero da Marinha passou perto do barco onde estavam, mas continuou o trajeto sem dar atenção ao grupo.

Apesar do susto Maria da Penha Souza, uma das pessoas da embarcação, estava feliz por voltar à terra firme. “Eu estou bem, o aperto nós passamos só com o vento sul, mas a gente está bem. Foi difícil. Era tentar vir na vela, como nós já vínhamos quando o rapaz nos achou”, disse a pescadora.

Foto: Reprodução TV Vitória
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Maria também afirmou que um helicóptero da Marinha passou próximo ao grupo, mas não os socorreu. “O helicóptero da marinha passou encostado. Fizemos sinal que estávamos quebrados, fizemos sinal que a gente estava com fome, eles saíram e foram embora, vai fazer oito dias”, afirmou.

Quem também apresentava revolta contra a Capitania era o pescador Eduardo Rodrigues Sales. Além do fato de ter ficado à deriva, o profissional reclamou do prejuízo, já que para sobreviver, eles tiveram que comer a pesca que seria comercializada. “Se eles fossem atrás de nós para trazer o barco, nós não tínhamos perdido o peixe, agora quero saber onde estão meus oito mil contos. Os R$ 8 mil que eu gastei na despesa vou ter que receber”, exigiu.

Foto: Reprodução TV Vitória
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Para João Carlos Fonseca, que encontrou o barco dos pescadores, a Capitania não devia ter parado de procurar o grupo. “Eles estão mal preparados para socorre a gente no mar. Para eles, já estava dado como encerrado as buscas, mas para nós ainda acreditava a fé. Se eles têm um navio pra ficar um mês no mar, eles também podem ficar um mês para poder salvar a gente”, reclamou.

Segundo o Corpo de Bombeiros, que atendeu os pescadores quando chegaram em terra, eles não apresentaram sintomas de desidratação e passam bem.  A Capitania dos Portos comemora o aparecimento do barco com os quatro tripulantes e garante que as buscas continuaram durante esses catorze dias que os pescadores ficaram à deriva.

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Sem Respostas para “Após duas semanas à deriva, pescadores são resgatados”

  1. natal. disse:

    Foram abandonados a deriva, porque são pessoas pobres; se fose pessoas Ricas de Renomes, em, embarções de LUXO. Ou em Iates de Luxo. As buscas estava em cima.É só olhar milhões de reais que já foram gastos no resgate dos destroços e (corpos) de AER FRANCE. OLha que lá ( segundo informações ) não há vidas humanas mais…..( ???????? )

    Um Abraço…
    A todos

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