Mulheres conquistam espaço na segurança privada – vídeos

 Mulheres conquistam espaço na segurança privada   vídeos É com olhares desconfiados e comentários na surdina que muitos homens reagem quando se deparam pela primeira vez com mulheres em postos de vigilância. Mas é bom eles se acostumarem, porque elas estão chegando com força no mercado. “A mulher agora tem o seu espaço em uma profissão que só era de homem”, diz Maria Lourdes de Lima, de 34 anos, que trabalha há dez anos no setor. Ela já foi vigilante de banco. Hoje trabalha na recepção da empresa de segurança patrimonial Gocil e se prepara para dar mais um desafio. “Vou começar um curso para segurança pessoal. É um currículo a mais”, afirma a “guardete”, apelido das guardas femininas. Com 1,60m e maquiagem no rosto, revela que ouviu piadinhas machistas, mas não se abala. “A farda impõe respeito. Eles ficam com medo de chegar perto”, conta Lourdes, que, na quinta-feira (7), passava por um treinamento de instrução de tiros e de defesa pessoal. Ao lado dela, outras companheiras de trabalho, como Claudia Quinalha Rocha, de 36 anos, 14 deles dedicados à profissão. “No começo, é mais complicado, mas depois a gente acostuma”, afirma a moça de fala mansa. “Já senti preconceito. Alguns homens sentem desconfiança, acham que são mais espertos”, revela. Apesar disso, Claudia garante que nunca recebeu cantadas.   Constrangimento A procura pelas “guardetes” aumentou nos últimos anos, segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo, José Adir Loiola. Dos cerca de 70 mil vigilantes na capital, 5 mil são mulheres. Um percentual ainda pequeno (7,14%), mas que tende a crescer, diz ele.   “A demanda foi forte quando os bancos descobriram que havia a necessidade de contratar mulheres. Com a porta giratória, as clientes tiveram problemas em ser revistadas por homens”, afirma Loiola. Na opinião dele, as mulheres têm uma percepção apurada do ambiente à volta e chegam a se impor mais do que os colegas. “Para trabalhar em uma recepção, no atendimento, a mulher chama a atenção e impõe mais respeito”.   Não bastasse as seguranças brigarem por um espaço em um setor ainda predominantemente masculino, elas conquistaram postos de comando. Maira Paiva, de 40 anos, é quem há três dá o treinamento aos vigilantes da Gocil, em São Paulo. “Às vezes, em uma turma, a gente usa o autoritarismo, mas não é freqüência. Mostramos que todos estão ali para somar”, afirma Maira, 13 anos de profissão. Ela conta que treina 2,8 mil vigilantes por mês e a participação das mulheres cresce 10% ao ano na empresa. “É o perfil do cliente que está mudando. Não é questão de força, mas de inteligência, e isso vale para homens e mulheres”.   0,,15243945,00 Mulheres conquistam espaço na segurança privada   vídeos ico ampliar Mulheres conquistam espaço na segurança privada   vídeos Homens e mulheres têm o mesmo treinamento (Foto: Carolina Iskandarian/ G1) ParceriaMuitos que hoje estão na equipe de treinamento de Maira foram alunos dela. É o caso de Edson Alves, de 34 anos. Ele conta que não tem ressalvas em trabalhar com mulheres. “Tive uma parceira na segurança pessoal e foi a melhor”, afirma ele, destacando o “companheirismo” e a “atenção” da colega. “Antigamente, o segurança só dizia: ‘daqui não passa’. Agora, usam o ‘pois não’, o ‘por favor’. Houve uma flexibilidade e o foco da segurança mudou por causa da sensibilidade das mulheres”, diz Alves. O também instrutor Marcelo Moura, 40, aponta outra vantagem em ter “guardetes” como companheiras de farda. “Elas dão toques de postura, vestimenta. Às vezes, a gravata está desalinhada e o sapato, mal engraxado”. Requisitos A profissão de vigilante é regulamentada pela lei federal 7.102, de 1983. Para se tornar vigia de banco, de loja ou de indústria não é preciso ser policial. Basta ter mais de 21 anos e ter estudado até pelo menos a 4ª série do ensino fundamental. De acordo com o sindicato, o piso da categoria é de R$ 836, mas os salários podem ser maiores. Todo vigilante tem de passar por cursos de formação autorizados e fiscalizados pela Polícia Federal (os ensinamentos que acontecem nas empresas de segurança são complementares). Delci Fátima Soares comanda um deles. Há 12 anos, recebe alunos na Escola Paulista de Formação e Especialização de Vigilantes, em Campinas, no interior do estado. Ali, os aspirantes a segurança têm aulas de tiro, de defesa pessoal, de combate a incêndio e de relações humanas no trabalho. O treinamento é igual, independentemente do sexo. “De uns dois anos para cá, a procura das mulheres (pela profissão) tem aumentado. Até porque os bancos as requisitam porque elas entendem mais os clientes, têm mais paciência. A vigilância (particular) é preventiva e não ostensiva”, diz Delci, que calcula ter 25% de alunas em cada turma que se abre. Em uma profissão cujo estigma é o da força, aos poucos, elas vão ganhando respeito. E não têm moleza. “Não é por ser mulher que a gente vai passar a mão na cabeça. Já vi muito homem chorando e mulher rindo (em treino)”, afirma o instrutor Edson Alves.
  •  Mulheres conquistam espaço na segurança privada   vídeos Maria Telma em seu trabalho: revista de homens e mulheres (Foto: Fernando Moraes)
Depois de ficar um bom tempo aguentando desaforos em centrais de telemarketing, Maria Telma Pereira, uma alagoana radicada em São Paulo desde 2000, decidiu buscar uma profissão mais estável e com salário um pouco melhor. Aos 27 anos, ela trocou os head phones pelo radiocomunicador. A virada começou em julho, quando concluiu um treinamento para se tornar vigilante. Ela aprendeu a se defender em combate corpo a corpo e a manusear diversos tipos de pistola — fez até um curso avançado para calibrar a pontaria. Direto da sala de aula, foi contratada para o posto de segurança em uma empresa de cosméticos, onde é responsável pelo controle de circulação dos funcionários. Uma de suas tarefas consiste em revistar todos os que entram e saem do prédio, tanto homens quanto mulheres. A aparência delicada é motivo de cantadas discretas, mas não a impede de impor sua autoridade na hora de vasculhar objetos pessoais. “Nos meus primeiros dias eu não conhecia ninguém e enquadrava até os donos da empresa”, lembra. Para fugir das situações mais tensas, tem uma estratégia pronta. “Um pedido gentil, seguido de um sorriso, desarma qualquer resistência”, conta. Aos poucos, profissionais como Maria Telma estão se tornando menos raras na capital. O mercado de vigilância privada por aqui já conta com um efetivo de aproximadamente 30 000 mulheres, ou 17% do total. Embora ainda representem uma minoria na área, elas estão avançando rápido. Entre 2009 e 2013, o número de contratações aumentou mais de 140%. Especializada no atendimento a condomínios, a Haganá Segurança emprega 600 mulheres em seu quadro de funcionários, o equivalente a 10% do efetivo. “Todos os nossos clientes compreendem hoje o papel essencial que elas desempenham”, conta o diretor operacional, Ricardo Napoli.    Mulheres conquistam espaço na segurança privada   vídeos Rosi Moraes e Catia Rodrigues:normas seguidasà risca (Foto:Fernando Moraes) A crescente procura pelo perfil feminino se deve ao interesse das empresas por uma abordagem mais suave em situações em que o contato com o público é direto, como em portas giratórias de bancos e na portaria de condomínios e prédios comerciais. Além disso, esses lugares recebem um grande afluxo de mulheres, o que exige a presença de agentes femininas para possibilitar eventuais abordagens. “No dia a dia de trabalho, a presença das moças suaviza o aspecto ostensivo das escoltas e diminui constrangimentos”, explica João Palhuca, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo (Sesvesp). O salário mensal (a partir de 1 080 reais), sem exigência de diploma universitário nem de experiência na área, também ajuda a atrair candidatas. Os cursos de preparação duram cerca de 200 horas. Nas aulas, ministradas ao longo de um mês, as calouras aprendem defesa pessoal, técnicas de interrogatório e manuseio de armas, entre outras coisas. Nos cálculos de Renato Souza, gerente-geral da Provig, divisão de treinamentos do Grupo Protege, elas representam hoje um terço das turmas de aprendizes. “Em geral, são melhores estudantes do que eles”, completa. Outro fator importante que estimula o ingresso feminino no setor é o sistema de trabalho, com doze horas de plantão seguidas por 36 de folga. A escala flexível permite que elas acumulem as funções de mãe e esposa. “Levamos para casa a mesma disciplina que aplicamos no trabalho”, conta Rosi Moraes, que alterna a vigilância do perímetro de um centro de distribuição em Alphaville com a colega Catia Rodrigues e outras três funcionárias.    Mulheres conquistam espaço na segurança privada   vídeos Monica Nogueira,durante treinamento:“No dia a dia nãoexiste sexo frágil” (Foto:Fernando Moraes) As pioneiras nesse mercado estão animadas com as mudanças ocorridas nos últimos tempos. “Nos primeiros anos de carreira, estranhavam minha presença na rua”, diz a agente Monica Nogueira, de 47 anos. Com uma década de experiência, ela faz parte de uma equipe de segurança patrimonial ao lado de dois homens. Uma de suas especialidades é a vigilância armada. Monica afirma que para não ser tratada como sexo frágil nas ruas é necessário investir em aperfeiçoamento. “Quanto mais conhecimento na área, mais efetiva é a ação no campo”, afirma ela, que acaba de concluir um curso de reciclagem. Antes de se tornar vigia, atuava como enfermeira. Hoje, carrega no coldre um Taurus 38, que nunca precisou disparar. Em 2005, passou por apuros quando foi rendida por bandidos durante um assalto ao banco onde estava a postos. Felizmente, nada de pior aconteceu. PELOTÃO FEMININO A participação delas em alguns postos de trabalho da cidade 40% - agências bancárias 35% - shoppings 30% - condomínios 20% - indústrias
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