Rio de Janeiro - Desde a última segunda-feira (4), a Polícia Federal está investigando empresas clandestinas de segurança privada, em municípios fluminenses. A PF ainda não divulgou o balanço parcial da operação, que continuará pelos próximos 15 dias. A expectativa é fechar cerca de 30 empresas somente na capital fluminense, além de aplicar multas e identificar vigilantes que trabalham sem cadastro. Segundo estimativas da própria PF, para cada empresa de segurança regularizada no Rio, existem cinco irregulares. Entre os principais problemas estão a falta de vigilantes com treinamento certificado e a contratação de policiais, o que é ilegal. A pesquisadora Sílvia Ramos alertou que a participação dos agentes públicos na vigilância privada pode ter um alto custo social, como a proliferação de milícias e mortes de policias durante as folgas. “Essa lógica de que, pelo menos um policial na segurança privada é melhor que um civil mal treinado, produz problemas difíceis de se reverter como milícias, alto número de mortes nas folgas e a quebra de hierarquia, em alguns casos”, afirmou Sílvia, que coordena o Centro de Estudos em Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. Segundo ela, nos últimos 15 anos, mais de 70% das mortes de policiais no estado do Rio, ocorrem na folga. “Além disso, esse emprego [na vigilância privada] é ruim porque o policial não descansa direito, não está coberto por viaturas ou colegas. O ideal é um policial bem remunerado que não precise fazer bicos”, concluiu.

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